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Quando alguém se machuca, o corpo entra em ação imediatamente para reparar o tecido lesionado. Mas poucas pessoas param para pensar que esse processo — a cicatrização — é também um processo nutricional. O corpo não fabrica pele nova, colágeno ou vasos sanguíneos do nada: ele precisa de energia, proteína, vitaminas e minerais em quantidade suficiente para reconstruir o que foi ferido. Quando esses nutrientes faltam, a cicatrização desacelera, complica ou simplesmente não avança — e é exatamente isso que torna a nutrição um fator tão determinante na recuperação de feridas crônicas, especialmente em idosos e pacientes com doenças de base.
Este artigo explica, de forma acessível, o que a ciência já sabe sobre a relação entre alimentação e cicatrização, quais nutrientes têm papel mais relevante nesse processo, e em que situações a suplementação nutricional pode ser indicada como suporte ao tratamento.
Importante: este conteúdo tem finalidade informativa. A avaliação nutricional de qualquer ferida deve ser feita por médico ou nutricionista, que vai considerar o histórico clínico completo do paciente.
A cicatrização não é um evento único — é uma sequência de fases (inflamatória, proliferativa e de remodelação) que, juntas, formam um processo essencially catabólico. Isso significa que o corpo consome mais energia e mais nutrientes do que em condições normais, justamente para sustentar a produção de novo tecido, a formação de vasos sanguíneos e o fortalecimento da cicatriz.
Segundo revisões da literatura sobre o tema, esse aumento de demanda energética e nutricional é constante ao longo de todas as fases da cicatrização — e quando essa demanda não é atendida, cada uma das etapas do processo pode ser comprometida.
O elo entre desnutrição e feridas que não cicatrizam é mais forte — e mais comum — do que muita gente imagina. Estudos brasileiros recentes apontam que a desnutrição está presente em até 60% dos idosos hospitalizados, e que ela compromete diretamente a síntese de colágeno, a resposta imune e a reparação dos tecidos, além de aumentar o risco de infecções e de úlceras por pressão.
Isso cria um ciclo particularmente desafiador em pacientes idosos, acamados ou com doenças crônicas: eles já têm maior propensão a desenvolver feridas (como úlceras de pressão), e ao mesmo tempo apresentam, com mais frequência, quadros de desnutrição proteico-energética — o que dificulta ainda mais a cicatrização dessas mesmas feridas.
Em ambiente hospitalar, esse impacto vai além da ferida em si: pacientes desnutridos têm mais chance de desenvolver infecções pós-cirúrgicas, maior risco de complicações e tendem a permanecer internados por mais tempo.
A ciência já identificou um grupo relativamente consistente de nutrientes com participação direta no processo de reparação tecidual:
Proteína. É, de longe, o nutriente mais citado na literatura. A deficiência proteica prolonga a fase inflamatória, reduz a síntese e a deposição de colágeno, diminui a capacidade de defesa do organismo contra infecções e atrasa a remodelação da ferida. Em outras palavras: sem proteína suficiente, praticamente todas as etapas da cicatrização são prejudicadas.
Arginina. Esse aminoácido tem sido associado à redução da taxa de infecção e do tempo de internação em pacientes com feridas. Dietas com maior proporção de arginina no total de proteínas mostraram resultados positivos em estudos clínicos.
Vitaminas A, C e E. Atuam na formação de colágeno e na resposta antioxidante do organismo durante o processo inflamatório.
Zinco, ferro, cobre, selênio e manganês. Minerais envolvidos na formação de novos vasos sanguíneos, na resposta imune e na integridade celular durante a regeneração do tecido.
Uma revisão publicada na Acta Portuguesa de Nutrição, que analisou estudos sobre suplementação em pacientes com feridas crônicas, concluiu que a combinação desses nutrientes — arginina, zinco, selênio, magnésio, vitaminas A, C e E — apresenta potencial real na promoção da cicatrização, embora os autores reforcem que mais estudos com metodologias robustas ainda são necessários para orientar protocolos clínicos de forma definitiva.
Em um cenário ideal, todos esses nutrientes viriam de uma dieta equilibrada. Mas a realidade de muitos pacientes com feridas crônicas é diferente: perda de apetite, dificuldade de mastigação ou deglutição, doenças de base que afetam a absorção de nutrientes, ou simplesmente uma necessidade calórico-proteica tão elevada que a alimentação convencional não consegue suprir em volume razoável.
É nesse contexto que entra a suplementação nutricional — não como substituto da alimentação, mas como um reforço direcionado, formulado especificamente para entregar mais energia e nutrientes específicos em menor volume.
O Nutren 2.0, da Nestlé Health Science, é um exemplo desse tipo de fórmula: hipercalórico (2,0 kcal/mL), oferece 400 kcal e 17,2g de proteína por garrafinha de 200ml, e é indicado especificamente para o manejo nutricional de pacientes com problemas de cicatrização — contribuindo, segundo o fabricante, para a redução de ocorrências e/ou aceleração da cicatrização de feridas crônicas. Por concentrar mais calorias em menos volume, é uma opção pensada para pacientes com restrição de ingestão alimentar, que têm dificuldade em consumir grandes quantidades mas ainda assim precisam de um aporte nutricional elevado para sustentar a recuperação.
Como qualquer suplemento voltado a um quadro clínico específico, seu uso deve ser indicado e acompanhado por médico ou nutricionista, que vai avaliar a ferida, o estado nutricional do paciente e a necessidade real de suporte adicional.
Se você cuida de alguém com uma ferida crônica — ou está você mesmo nessa situação — algumas perguntas podem ajudar a orientar a conversa com o médico ou nutricionista responsável:
Essas informações ajudam o profissional a avaliar se há espaço para suplementação nutricional dentro do plano de tratamento, e qual tipo de fórmula seria mais adequada ao caso.
A alimentação sozinha consegue curar uma ferida crônica?
A alimentação é uma parte fundamental do processo, mas a cicatrização de feridas crônicas geralmente envolve um tratamento multidisciplinar, incluindo cuidados diretos com a ferida, tratamento da causa de base e, quando necessário, suporte nutricional. A nutrição atua como um fator que pode acelerar ou dificultar esse processo, mas raramente é o único elemento do tratamento.
Quais pacientes têm mais risco de desnutrição associada a feridas?
Idosos, pacientes acamados ou com mobilidade reduzida, pessoas com doenças crônicas e pacientes hospitalizados por período prolongado são os grupos mais frequentemente associados a esse quadro, segundo a literatura científica.
Suplementos nutricionais substituem a alimentação normal?
Não. Eles são formulados como complemento, para casos em que a alimentação convencional não consegue suprir sozinha as necessidades calóricas e proteicas aumentadas do paciente.
Como saber se é hora de considerar suplementação nutricional?
Essa avaliação deve ser feita por um médico ou nutricionista, que vai considerar sinais como perda de peso não intencional, baixa ingestão alimentar, evolução lenta da ferida e o estado nutricional geral do paciente.
Fontes: revisões científicas sobre nutrição e cicatrização de feridas crônicas publicadas em periódicos de nutrição e saúde (Acta Portuguesa de Nutrição, Revista Foco, entre outras), e ficha técnica oficial do Nutren 2.0, Nestlé Health Science, consultada em julho de 2026. Este conteúdo não substitui avaliação médica ou nutricional individualizada.
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