Fale conosco
Fale conosco
Você já parou no corredor do supermercado, virou a embalagem de um produto e ficou olhando pra aquela tabela cheia de números sem saber muito bem o que fazer com eles? Você não está sozinho. A tabela nutricional é obrigatória em quase todos os alimentos industrializados, mas poucas pessoas realmente sabem interpretá-la — e isso faz diferença na hora de escolher o que vai para o carrinho e, principalmente, para o seu corpo.
Neste guia, vamos explicar de forma simples o que significa cada item da tabela, como usá-la para comparar produtos parecidos e o que mudou nas regras brasileiras de rotulagem nos últimos anos. O objetivo é que, da próxima vez que você for às compras, consiga ler o rótulo com confiança e fazer escolhas mais conscientes.
A tabela nutricional (também chamada de informação nutricional1) é aquele quadro, geralmente no verso ou na lateral da embalagem, que mostra a quantidade de calorias, carboidratos, proteínas, gorduras e outros nutrientes presentes no alimento. Ela existe para que qualquer pessoa, mesmo sem formação em nutrição, consiga saber o que está consumindo.
No Brasil, essa tabela é regulada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e as regras de como ela deve aparecer passaram por uma atualização importante nos últimos anos — vamos falar sobre isso mais adiante.
Um dos erros mais comuns é olhar os valores da tabela achando que eles se referem à embalagem inteira. Na maioria dos casos, não é assim.
Os valores mostrados na tabela normalmente correspondem a uma porção — ou seja, uma quantidade média que se recomenda consumir de uma vez, e não o pacote todo. Por exemplo: um pacote de biscoitos pode ter 200g no total, mas a tabela pode estar mostrando os valores referentes a apenas 30g (algumas unidades).
Na prática: se você vai comer o dobro da porção indicada, o ideal é multiplicar todos os valores da tabela por dois. Comeu metade da porção? Divida os valores por dois. Esse cálculo simples evita que você subestime quantas calorias ou quanto sódio realmente consumiu.
Desde a atualização das regras de rotulagem, os fabricantes também são obrigados a informar os valores por 100g ou 100ml do produto, além da porção — isso foi pensado justamente para facilitar a comparação entre produtos parecidos que vêm em porções diferentes.
O valor energético representa a quantidade de energia que o seu corpo obtém ao consumir aquele alimento, vinda da combinação de carboidratos, proteínas e gorduras. Na tabela, ele aparece em duas unidades: calorias (kcal) e quilojoules (kJ). Não se preocupe em decorar a conversão entre as duas — o kcal é a unidade que a maioria das pessoas já reconhece no dia a dia.
O "% VD" (Percentual do Valor Diário) indica o quanto aquela porção do alimento representa das necessidades diárias de uma pessoa, considerando uma dieta padrão de referência. É um jeito rápido de entender se um alimento tem "muito" ou "pouco" de determinado nutriente sem precisar fazer conta.
Regra prática para usar o % VD:
Isso é especialmente útil para nutrientes que devem ser consumidos com moderação, como sódio e gorduras saturadas — se o % VD deles estiver alto, vale prestar atenção.
Importante: o % VD é calculado com base em uma pessoa adulta com necessidades calóricas médias. Crianças, idosos, atletas ou pessoas com condições de saúde específicas podem ter necessidades diferentes, e por isso o rótulo é um ponto de partida, não uma regra fixa para todo mundo.
Os carboidratos costumam ter má fama, mas são a principal fonte de energia do corpo, incluindo do cérebro. O problema não é o carboidrato em si, mas o excesso — quando o corpo não usa toda a energia recebida, parte dela pode ser armazenada como gordura.
O mais importante aqui é observar a quantidade que você está consumindo ao longo do dia e de onde ela vem: carboidratos de alimentos integrais, frutas e vegetais tendem a vir acompanhados de fibras e outros nutrientes, enquanto carboidratos de alimentos ultraprocessados costumam ser mais "vazios" nutricionalmente.
As proteínas têm um papel essencial na formação e manutenção de músculos, tecidos, células e órgãos. Elas estão presentes principalmente em carnes, ovos, laticínios e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico).
Pessoas com rotinas de treino mais intensas, gestantes ou pessoas em recuperação de cirurgias, por exemplo, costumam precisar de mais proteína do que a média — por isso, vale conversar com um nutricionista para saber sua necessidade individual em vez de seguir apenas um número genérico.
Esse é um dos pontos que mais gera confusão, porque a tabela nutricional divide as gorduras em diferentes tipos, e cada um se comporta de um jeito diferente no corpo.
É a soma de todas as gorduras presentes no alimento — as consideradas "boas" e as "ruins" juntas. A gordura, de forma geral, é essencial para o corpo: ela ajuda a absorver as vitaminas A, D, E e K e é uma fonte importante de energia. O problema está no excesso, que pode contribuir para o ganho de peso.
São gorduras de origem majoritariamente animal (carnes gordas, manteiga, queijos amarelos, por exemplo). O consumo em excesso está associado a um risco maior de doenças cardiovasculares2, por isso é um dos nutrientes que a rotulagem frontal (explicada mais abaixo) passou a destacar quando presente em quantidade elevada.
É o tipo de gordura mais associado a riscos à saúde, presente principalmente em alimentos industrializados e frituras. Diferente das outras gorduras, ela não desempenha nenhuma função importante no organismo — por isso, quanto menor o consumo, melhor.
Conhecidas informalmente como "gorduras boas", ajudam a reduzir o LDL (o chamado colesterol ruim) e têm efeito protetor para o coração. Estão presentes em alimentos como azeite de oliva, abacate, castanhas, chia e peixes.
As fibras ajudam a regular o intestino, controlam os níveis de açúcar e colesterol no sangue e aumentam a sensação de saciedade — o que também pode ajudar no controle do apetite. Elas estão presentes em frutas, vegetais, feijões e grãos integrais.
O sódio não vem só do saleiro de casa — grande parte do sódio que consumimos está "escondida" em alimentos industrializados, como embutidos, molhos prontos, salgadinhos e temperos industrializados. Em excesso, ele está relacionado à retenção de líquidos e ao aumento da pressão arterial. Por isso, é um dos itens de maior atenção ao ler o rótulo.
Se você não olha uma embalagem de alimento há alguns anos, vai notar uma diferença importante: desde outubro de 2023, entraram em vigor novas regras da Anvisa para a rotulagem nutricional no Brasil3, com o objetivo de tornar as informações mais claras para o consumidor.
As principais mudanças foram:
Na prática, essas mudanças tornam mais fácil identificar rapidamente, só de olhar a embalagem, se um produto é rico em algum nutriente que vale consumir com moderação — sem precisar decifrar números.
Algumas dicas simples para aplicar tudo isso no dia a dia:
A tabela nutricional é obrigatória em todos os alimentos? A maioria dos alimentos industrializados embalados é obrigada a apresentar a tabela. Alimentos vendidos a granel, preparados na hora ou com embalagens muito pequenas podem ter regras diferentes.
Qual a diferença entre açúcar total e açúcar adicionado? Açúcar total é a soma de todo o açúcar presente no alimento, incluindo o que já existe naturalmente (como em frutas). Açúcar adicionado é apenas aquele que foi incluído durante a fabricação do produto — e é esse tipo que vale observar com mais atenção.
O símbolo de lupa significa que o alimento é "proibido"? Não necessariamente. Ele é um alerta de que o produto tem alto teor de determinado nutriente, mas isso não significa que ele não possa fazer parte da sua alimentação — o importante é o equilíbrio e a frequência de consumo.
Entender a tabela nutricional é um passo simples que faz diferença real na hora de montar uma alimentação mais equilibrada. Quer continuar aprendendo sobre alimentação saudável? Confira também nosso artigo sobre fibras alimentares e descubra como incluir mais fibras no seu dia a dia.
Deixe um comentário